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sábado, 9 de fevereiro de 2013

Las Hermanas de la Magdalena (Irlanda). - o filme

Baseado em fatos reais. São as histórias de milhares de mulheres rejeitadas por suas famílias e abandonadas à  "misericórdia" da Igreja Católica. 


 Estas mulheres, eram internadas porque  foram considerados como tendo "perdido a graça de Deus", foram presas sem ter cometido nenhum crime, apenas por serem pobres, órfãos, vítimas de estupro,  terem filhos sem ser casada ou serem consideradas um "risco moral".


As fundações dessas casas na Irlanda remonta ao século XIX como um refúgio para as prostitutas e mulheres que haviam "perdido a graça de Deus." Seu nome era devido à figura bíblica de Maria Madalena, uma ex-prostituta que se arrependeu de Jesus Cristo e foi homenageado para lavar seus pés.  


No início do século XX, as casas foram tomadas pela Igreja Católica, que impôs um regime muito rigoroso. A gestão foi confiada a casa das Irmãs da Misericórdia,(sic) que obrigavam as mulheres a lavar a roupa de cama dos hotéis locais, universidades, instituições, por 8 / 10 horas por dia, 7 dias x semana, sem receber qualquer compensação .  

A sociedade, que julgou esaas jovens inapropriadas ou que poderiam colocar em perigo a sociedade, considerou que esta era a melhor maneira de fazê-los expiar os seus pecados.
 No início do século XX, a Irlanda era um país devastado pela pobreza, e serviços de bem-estar social foram sobrecarregados. As famílias eram pressionadas para mandar para as instituições as crianças que tinham sujado o seu bom nome e era comum que as confiassem ao padre local. (que se adonavam delas literalmente)

 A Igreja, por sua vez,  encorajavam as famílias a submeter as filhas "perdidas"  a prisão ilegal nas lavanderias Madalena. Dentro dessas casas, a vida sem esperança, castigos severos e abuso moral e física estavam na ordem do dia.

As meninas, ao chegarem, eram despojadas de suas roupas e pertences pessoais, cortaram o cabelo e mudavam seus nomes de batismo para  nomes de santas Católicas. 


A elas era imposto um regime estrito de trabalho, oração e descaso, e  privadas de qualquer contato com o mundo exterior: sem livros, sem jornais, sem relação com suas próprias famílias. 

 Muitos das antigas internas têm descrito sua existência de reclusas como pior do que se tivessem realmente sido presas lavanderias,  e que as lavanderias  Madalena negavam os direitos mínimos daqueles que estão detidos em prisões.  
Retidas contra  vontade, algumas mulheres passaram a vida inteira trancada atrás dos muros dos conventos da Magdalena, viveram e morreram completamente isolado do mundo exterior.  

Além disso, nunca as freiras preparavam meninas para a vida fora de seus muros, de forma que depois de deixar as lavanderias Madalena quase todos eles tiveram que enfrentar sua nova vida com grandes problemas. O fato de ter sido reclusa nessas instituições era uma vergonha tão grande que quase todas se mantinham recolhidas e muitos fugiram para se esconder.

Jovens mulheres que davam à luz sem serem casadas eram separdas de seus filhos, queeram  dadas para adoção e forçadas a assinar documentos impedindo-as de tentar encontrá-los mais tarde. 


 As freiras que gerenciavam as casas estavam em conluio com o sistema dominante, uma sociedade que via as meninas como uma grave ameaça para os códigos morais da Igreja e da família.  

Eles justificaram esta prisão como necessária para a segurança das meninas que estavam em perigo moral, fora dos muros das casas. Além disso, a conspiração do silêncio e da vergonha que cercou as famílias dos jovens era um sinal claro de que já não tinha uma família ou comunidade para onde pudessem voltar.

A gravidez fora do casamento foi considerado uma perda da graça de Cristo e osfilhos de tais pecadores foram consideradas em perigo de perder-se durante as sete gerações seguintes (isso é muito semelhante a Teologia da Maldição Hereditária dos Pentecostais). 

Daí que, as filhas de mães solteiras eram encerradas em orfanatos e quando completavam 17 anos, eram enviadas para as casas dos Magdalena para expiar os pecados de suas mães.


Nas décadas dos anos 50 e 60, nessas casas, a existência de fome, espancamentos e abusos, resultavam em um aumento de fugas e motins. Nos anos 60, algumas das dez casas existentes na Irlanda foram fechadas devido ao bom do consumismo, que incentivou o uso de máquinas de lavar e o enfraquecimento do poder da Igreja Católica na sociedade irlandesa. 

Em 1996, foi fechada a última casa do Magdalena deixando entre 40 e 50 mulheres, que ainda viviam ali, incapaz de lidar com a vida lá fora. Até à data, a Igreja Católica não se desculpou formalmente, e essas mulheres não  receberam qualquer indenização.  

A maioria destes jovens deixaram a Irlanda para tentar reconstruir sua vida em Inglaterra, ou ainda mais longe.  

Estima-se que 30.000 mulheres e meninas viveram até sua morte nas lavanderias Madalena.

Comissão denuncia abuso sexual em crianças na Irlanda

Globo News - Jornal das Dez - Quarta-feira, 20/05/2009



Mais um escândalo sobre desvio de conduta abala a Igreja Católica. Na Irlanda, cerca de duas mil crianças sofreram agressões físicas e psicológicas em instituições religiosas.

Uma ação dos Irmãos Cristãos, a maior provedora de amparo a meninos no país, fez com que a Comissão desistisse da sua intenção original de nomear as pessoas contra as quais as alegações foram feitas. Nenhum dos acusados de abuso será processado como resultado da investigação.

Esse caso foi retratado no filme Em Nome de Deus. O diretor Peter Mullan levou às telas a história de quatro mulheres, que por motivos diversos foram enviadas a um asilo católico para pagar por seus pecados. ver mais aqui


Irlanda, década de 60. Margaret (Anne-Marie Duff) foi estuprada num casamento por seu primo. Bernardette (Nora-Jane Noone) é muito bonita e por isso representa um perigo para os homens da vizinhança. Rose (Dorothy Duffy) e Crispina (Eileen Walsh) são mães solteiras. Por causa disso essas quatro mulheres são mandadas para um convento por seus familiares, com o intento de "pagar por seus pecados". Essa punição é por tempo indeterminado, o que significa uma vida de trabalhos forçados na lavanderia do asilo católico. As internas são conhecidas como "as irmãs Magdalena". Elas são humilhadas regularmente pelas madres, que não toleram desobediência, muitas vezes usando até mesmo castigos físicos.

Globo.com - 20/05/09 - 17h20
http://g1.globo.com/Noticias/Mundo/

Arcebispo irlandês pede desculpas por abusos sexuais a menores

Investigação revela agressões e abusos em instituições católicas. Governo do país também foi criticado por não ter coibido os crimes.

O arcebispo da Igreja Católica irlandesa, o cardeal Sean Brady, pediu desculpas e disse estar "envergonhado" pelos milhares de casos de abusos sexuais, físicos e psicológicos cometidos por religiosos em instituições do país durante quase 70 anos.

Brady emitiu um comunicado hoje em resposta à publicação de um relatório da Comissão sobre Abusos a Menores, realizada em 2000, para esclarecer denúncias de abusos ocorridos desde 1940, até meados da década de 80.

Um relatório governamental divulgado nesta quarta-feira (20) na Irlanda acusa padres de terem agredido e abusado sexualmente de milhares de crianças durante décadas em instituições católicas como orfanatos e escolas de ofícios.

A Comissão de Inquérito sobre Abuso Infantil foi estabelecida pelo governo em 2000. O resultado de sua investigação acusa sucessivas gerações de padres, freiras e irmãos de agredir, deixar à mingua e, em algum casos, abusar de crianças entre 1930 e 1990.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Irlanda traz à tona a vergonha das lavanderias católicas

Para serem "purificadas", 
"as caídas" (mães solteiras e suas filhas,
 prostitutas, etc.)  eram submetidas ao trabalho análogo ao da escravidão


O governo da Irlanda trouxe à tona de novo o que os jornais do país chamam de “vergonha nacional”: as lavandeiras administradas por ordens de freiras católicas que exploravam o trabalho das “caídas” (mães solteiras e suas filhas, vítimas de abuso sexual, prostitutas e portadoras de deficiência física ou mental).  As mulheres trabalhavam duro sem nada ganhar, como se fossem escravas. Algumas sofriam abuso sexual de padres e outras  morreram em circunstâncias desconhecidas.

As roupas eram de empresas, órgãos públicos e Forças Armadas— um negócio altamente lucrativos para as freiras.

O governo divulgou um relatório com a informação de 1922 a 1996 mais de 10.000 jovens tidas como fardo pela família, escola ou Estado trabalhavam nas chamadas Lavandeiras Madalena. Para serem “purificadas”, elas ficavam trancadas de seis meses a um ano nesses locais lavando e passando roupas, além de trabalho de costura.

No relatório, o governo reconheceu que o Estado irlandês encaminhou para essas lavandeiras 2.124 mulheres, 26,5% do total. Também informou ter descoberto que cerca de 900 mulheres morreram nesses locais de trabalho forçado — a mais nova delas tinha 15 anos.


"Caídas" trabalhavam mais de 10 horas
por dia sem ganhar um tostão
O historiador Diarmaid Ferriter disse que as lavanderias faziam parte dos mecanismos que a sociedade, Estado e ordens religiosas usavam para tentar enquadrar as pessoas tidas como párias no modelo de pureza mítica cultural da identidade irlandesa.

A imprensa tem publicado o testemunho de algumas sobreviventes das lavandeiras. Uma delas, por exemplo, contou que sofre até hoje de depressão por causa dos maus-tratos. “Eu me sinto em pedaços”, disse. “Já tentei o suicídio várias vezes.”

Como representante do Estado irlandês, o primeiro ministro Enda Kenny pediu desculpas pelo sofrimento das mulheres internadas nas lavanderias Madalena, por endossar o estigma de “caídas” e por ter demorado para assumir parte da  responsabilidade pelas mazelas.

Para mulheres sobreviventes das lavanderias, só o pedido de desculpas não basta. Elas querem ser indenizadas.

O filme de 2001 The Magdalene Sisters  conta a história de quatro jovens que foram mandadas por seus familiares para uma dessas lavanderias ou, como eram chamadas, asilos católicos. As jovens são chamadas de  “irmãs Madalena”. Três delas eram mães solteiras e uma tinha sido estuprada.

O cineasta Peter Mullan se baseou em histórias reais para mostrar a rotina de castigos (alguns físicos) e de humilhações que as freiras imponham às “decaídas”.

 (sobre o filme das Irmãs Madalena - aqui)







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