quarta-feira, 11 de setembro de 2013

1º Ato das Trepadeiras acontece hoje em São Paulo

Mulheres promovem Ato das Trepadeiras contra músicas que reforçam a humilhação e a violência em suas letras

PP

 Ana Paula Galvão, Ciranda

 Imagem do vídeo “Trepadeiras”. (Artista: Emicida)

Na primeira década do século passado, os sambas saiam das regiões empobrecidas e chegavam ao salões da alta sociedade com, dentre outras, a música que proclamava  

“se essa mulher fosse minha
Apanhava uma surra já-já
Eu lhe pisava todinha
Até mesmo eu lhe dizer chega”, 
cantada por José Barbosa da Silva.

Na década de 30, o compositor Francisco Alves gravou o imediato sucesso “Mulher de Malandro” que pregava:  

“Mulher de malandro sabe ser
Carinhosa de verdade
Ela vive com tanto prazer
Quanto mais apanha
A ele tem amizade
Longe dele tem saudade”.

Em 40, Ismael Silva, em coautoria com Francisco Alves e Freire Júnior, gravaram a música “Amor Malandro” e deixa claro a opinião dos compositores:

”Se ele te bate é porque gosta de ti, 
pois bater em quem não se gosta eu nunca vi”.

Indo para os anos 70, pescamos a pérola de João Bosco e Adir Blac “Gol Anulado”, que diz

“Quando você gritou mengo
No segundo gol do Zico
Tirei sem pensar o cinto
E bati até cansar
Três anos vivendo juntos
E eu sempre disse contente
Minha preta é uma rainha
Porque não teme o batente
Se garante na cozinha
E ainda é vasco doente”.

Na década de 80, a banda Camisa de Vênus emplacou nas rádios a música “Silvia”, com o absurdo refrão

“Ôh Silvia, Piranha
Ôh Silvia, Sua Puta
Todo homem que sabe o que quer, 
pega o pau pra bater na mulher”.


Já nos anos 90, o pagode brega, na voz de Alexandre Pires divertia milhões com a música que comparava a mulher a um inseto e dizia a plenos pulmões que iria chicotear, bater com chineladas, pauladas e o que mais tivesse mais ao seu alcance na música “A Barata da Vizinha”.

Na primeira década do século 21, o forró nos dá mais um exemplo rude com a canção “Quenga”:

“Você voltou
Pra quela casa da luz vermelha
Você se deita com todo mundo
E ainda diz que me ama
Mas qualquer hora
Me da na louca
Me da na telha
Te invado a casa
Te dou porrada
Te quebro a cara
E quebro a cama.”

E em 21 de agosto último, o rapper Emicida nos ’brindou’ com a canção “Trepadeira”, em que o personagem masculino da canção proclama que sua companheira merece apanhar e morrer por envenenamento, além de sua absoluta descartabilidade após o ato sexual, numa composição cheia de apologia à violência social, física e psicológica da mulher, impondo padrões morais e estéticos e cerceando sua liberdade, cujo o auge da promoção misoginia está na rima:

“merece era uma surra de espada-de-são-jorge 
e um chá de comigo-ninguém-pode“.


CHEGA!!!!
Queremos, a partir do 1º ATO DAS TREPADEIRAS, desautorizar qualquer um a dançar, a sorrir cinicamente, a se divertir e, muito menos, a ganhar dinheiro às custas de hematomas, dores, humilhações diárias e mortes que chegam ao endêmico número de UMA MULHER AGREDIDA A CADA 12 SEGUNDOS, só no Brasil.

Trata-se de um profunda mudança cultural da qual não podemos mais nos furtar em promover. Não é um problema do RAP, não é um problema do samba, não é problema do pagode, do funk, do sertanejo, nem do rock e nem do POP, é um problema da sociedade e, sobretudo, de TODAS as mulheres.

Não queremos mais o eterno papel de vítimas que nos enfiam goela e ouvidos abaixo!

Somos guerreiras! Somos trabalhadoras e se “a rua é nóis”, é bom que fique bem claro que “100% da rua foi a mulher que pariu!”.

#1atodastrepadeiras #femicidasnaopassarao #trepadeirasnaocalarao


Dia 10.09 – terça-feira – às 20h30 – na Rua Paes Leme, em frente ao SESC Pinheiros!

Menina de 8 anos morre em lua de mel com marido de 40

PP

Jovem foi vendida pelo padrasto por cerca de R$ 6 mil a um saudita. Segundo os médicos, a menina morreu com ferimentos internos no útero.


Uma criança de oito anos morreu no último sábado (07/09) no Iêmen após a lua de mel com o marido de 40 anos, informaram nesta segunda-feira (09/09) as agências dpa e AFP. Segundo os médicos, a menina morreu com ferimentos internos no útero.

A jovem, chamada Rawan, foi vendida pelo padrasto para um saudita por cerca de R$ 6 mil, segundo o jornal alemão Der Tagesspiegel. A morte aconteceu na área tribal de Hardh, na fronteira com a Arábia Saudita.

Ativistas de direitos humanos pressionam para que o saudita e a família da menina sejam responsabilizados pela morte.

“Após este caso horrível, repetimos nossa exigência para uma lei que restrinja o casamento para maiores de 18 anos”, afirmou um membro do Centro Iemenita de Direitos Humanos para a dpa.


Em 2010, outra garota de 13 anos já havia morrido com sangramentos internos cinco dias após o casamento (forçado), de acordo com outra organização de direitos humanos que atua na região.

Há quatro anos, uma lei tentou colocar a idade mínima de 17 anos para o casamento. No entanto, ela foi rejeitada por parlamentares conservadores, que a classificaram de “não islâmica”.

Opera Mundi, com agências

  Atualizando

  11/Sep/2013 às 15:29

Agência reafirma morte de menina de 8 anos em lua de mel

Apuração da agência de notícias Reuters indica que chefes tribais tentaram esconder a história. Menina casada com homem de 40 anos morreu de hemorragia causada por rompimento uterino

menina 8 anos lua mel
Autoridades do Iêmen negam morte de menina, enquanto veículos de imprensa reafirmam veracidade da história (Imagem – Ilustração)
 
A agência de notícias Reuters reafirmou nesta terça-feira (10/09) a história de uma menina de oito anos que teria morrido no Iêmen durante a lua de mel com seu marido de 40 anos, apesar de autoridades do país terem negado a morte ontem, segundo o Huffington Post e o jornal Gulf News.

O caso, que chamou atenção em todo o mundo, teria ocorrido no último sábado (07), mas veio a público na segunda-feira (09), sendo reproduzido por publicações como o jornal espanhol El País, o Daily Mail e o alemão Der Tagersspiegel. A criança, segundo Mohammad Radman, o jornalista que apurou a matéria, sofreu ferimentos internos no útero.

Arwa Othman, ativista pelos direitos humanos no Iêmen, disse à Reuters que a menina, conhecida apenas como Rawan, se casou com um homem de 40 anos na última semana, na cidade de Meedi. Segundo ela, “na noite do casamento e após a relação sexual, a criança teve hemorragia e rompimento uterino, que causaram sua morte. Eles a levaram a uma clínica, mas os médicos não puderam salvá-la”.

Othman afirmou também que as autoridades não tomaram qualquer ação contra a família ou o marido da menina. Dois habitantes de Meedi, consultados pela Reuters, confirmaram o incidente e disseram que chefes tribais locais haviam tentado acobertar a história quando foi publicada pela primeira vez, inclusive ameaçando um jornalista para que não apurasse os fatos.

Casamentos envolvendo menores de idade são comuns no Iêmen, apesar de protestos de instituições como a ONU e o Human Rights Watch. Em 2010, uma menina de 13 anos também morreu com ferimentos internos após ter sido forçada a se casar, de acordo com uma organização de direitos humanos que atua na região.

Discussões sobre o assunto foram postas de lado pela turbulência política que seguiu os protestos de 2011 contra o presidente Ali Abdullah Saleh e que levaram à sua deposição do governo.

com Opera Mundi

 

 

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Senado torna crime de tortura violência contra a mulher

Casa aprovou ainda o atendimento especializado no SUS às vítimas de violência, a garantia de benefício temporário da Previdência e a exigência de rapidez na análise do pedido de prisão preventiva para o agressor

29 de agosto de 2013 | 19h 45
 
 
JOÃO DOMINGOS - O Estado de S. Paulo

BRASÍLIA - O Senado aprovou nessa quinta-feira, 29, por unanimidade, quatro projetos sugeridos pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Violência contra a Mulher, entre eles o que classifica a violência doméstica como crime de tortura.

A mesma proposta estabelece que também estará incurso no mesmo crime quem, em qualquer relação familiar ou afetiva, independente de coabitação, submete alguém à situação de violência ou grave ameaça, a intenso sofrimento físico ou mental como forma de exercer domínio.

Todos os projetos foram apresentados à presidente Dilma Rousseff na última terça-feira, durante cerimônia em que lhe foi entregue a conclusão do relatório da CPI da Violência contra a Mulher.

Além da classificação da violência contra a mulher como crime de tortura, o Senado aprovou o atendimento especializado no Sistema Único de Saúde (SUS) às mulheres vítimas de violência, a garantia de benefício temporário da Previdência a elas e a exigência de rapidez na análise do pedido de prisão preventiva para os agressores.

Os projetos aprovados pelo Senado seguem agora para o exame da Câmara dos Deputados. A CPI da Violência contra a Mulher realizou seu trabalho durante um ano e seis meses e verificou que a ausência do Estado é um dos fatores que causam a violência doméstica.

Outros três projetos relativos à segurança da mulher foram encaminhados à Comissão de Constituição e Justiça. Entre eles, o que estabelece o feminicídio (matar a mulher) como agravante de homicídio; o que cria o Fundo Nacional de Enfrentamento à Violência Contra as Mulheres e o que destina parte dos recursos do Fundo Penitenciário Nacional à manutenção de casas de abrigo que acolham vítimas de violência doméstica.
 

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Maioria das mulheres se cala diante das agressões



unisinos

No Brasil, fontes oficiais estimam que uma mulher seja agredida a cada 15 segundos; 243 por hora. De janeiro a dezembro de 2012, a Central de Atendimento à Mulher (Ligue 180) processou 732.468 registros, num total de 3.058.392 atendimentos. Destes, 88.685 são casos de violência - dez a cada hora. Metade se refere a risco de morte, 39% a espancamentos e 2% a estupros.

Apesar dos números em progressão - as queixas formalizadas através do Ligue 180 registraram aumento de 1.600% entre 2006 e 2012 e os relatos de violência cresceram 700% no mesmo período -, os esforços do governo para descortinar e acabar com a saga da violência doméstica no Brasil ainda esbarram no fato de que em apenas 4% dos casos as vítimas ou pessoas que convivem com elas procuram o serviço de proteção da Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM-PR). Num país onde quatro em cada dez admitem ter sofrido algum tipo de agressão física, segundo pesquisa realizada em 2010 pela Fundação Perseu Abramo, a maioria ainda prefere se calar.

A reportagem é de Marleine Cohen e publicada pelo jornal Valor, 26-08-2013.
Medo do agressor, vergonha, culpa: por mais que a Lei Maria da Penha, em vigor desde 2006, tenha aberto caminho para ajudar as vítimas a quebrar o silêncio, o fato é que o Brasil ainda ostenta a sétima posição no ranking mundial de maior número de homicídios de mulheres.

"As conquistas são recentes. A violência homem-mulher decorre do aprendizado incorporado de que ela é um ser inferior. Só agora ela está se tornando um sujeito de direitos e opções, capaz de direcionar a própria vida", diz Valéria Fernandes Diez Scarance, promotora de Justiça e fundadora do Gevid (Grupo de Enfrentamento à Violência Doméstica).

Aos sentimentos clássicos que blindam a violência, considerando que, em 89% dos casos, o agressor é companheiro da vítima ou teve algum tipo de vínculo afetivo com ela, Valéria ainda acrescenta a dependência econômica e emocional e, mais que tudo, "a crença da mulher na mudança do parceiro, que, via de regra, prima por ser um bom cidadão com bons antecedentes".

"Pesquisas mostram que este tipo de relação atravessa fases cíclicas: inicialmente, há uma tensão entre o casal. Ele aumenta a voz e se torna agressivo, o que culmina com a explosão, seja em forma de espancamento, estupro e até homicídio. A este momento segue-se outro, de lua de mel, durante o qual ele adota um outro tipo de comportamento e promete mudar", explica a promotora, lembrando que a violência é causada por um padrão comportamental passado de pai para filho. "Esta é a forma de amor que os meninos e as meninas aprenderam em casa".

Consequência direta deste modelo, que, segundo Valéria, deve ser igualmente desconstruído nos currículos escolares, "o homem não se enxerga como agressor e a mulher, por sua vez, consegue dissociar o sofrimento da lembrança da violência", depurando-a do risco que embute.

É por este motivo que a iniciativa do governo alcança um sucesso apenas parcial, destaca Sérgio Flávio Barbosa, coordenador do programa de responsabilização de homens autores de violência contra a mulher do Coletivo Feminista Sexualidade e Saúde, ONG surgida no início dos anos 80 em São Paulo. "Todos os esforços se concentram na mulher. A política falha ao deixar de lado o atendimento aos homens", diz ele, lembrando que "a vítima que denuncia acaba sendo abandonada por um agressor que vai perpetuar o ciclo de violência em outra relação".

Barbosa sustenta que é preciso haver "vontade política" para que cada indiciado seja encaminhado a um centro de responsabilização, onde, "durante seis meses, ele vai aprender a ressignificar seu comportamento machista sob acompanhamento de um técnico". A metodologia, implantada há sete anos pela ONG, resultou em apenas três reincidências num total de 158 agressores atendidos, diz o coordenador.

Para Fábia Lopes, diretora de Enfrentamento da Violência de Gênero da Secretaria da Mulher de Pernambuco, um dos Estados da federação onde o machismo é tradicionalmente mais arraigado, a erradicação deste grave problema social passa pela divulgação das suas consequências: "Lembrar que a violência contra a mulher é crime e dá cadeia permite conscientizar os homens", advoga Fábia, lançando mão dos resultados de pesquisas realizadas em 2009 e 2011 pelo Instituto Patrícia Galvão em parceria com o Instituto Avon - um dos grandes fomentadores da causa no Brasil --, segundo as quais 98% da população já ouviu falar da Lei Maria da Penha. "Agora, o desafio é popularizar os benefícios que ela garante às mulheres em situação de violência doméstica e familiar e os mecanismos de punição aos agressores".

Em Pernambuco, onde a população feminina conta com 10 Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAMs), seis Varas de Violência Doméstica e Familiar contra as Mulheres, 14 Centros de Referência Especializados no Atendimento à Mulher em Situação de Violência e um Núcleo de Apoio à Mulher no Ministério Público, entre outros, notou-se, segundo Fábia, uma redução de 24% no número de mulheres assassinadas, que passou de 276 em 2011 para 210 em 2012. Em comparação com 2006, o recuo é ainda mais expressivo: 34,3%, segundo dados da Secretaria de Defesa Social do Governo de Pernambuco.

São resultados como esses que levam a ministra Eleonora Menicucci, da SPM-PR, e empresas da iniciativa privada a apostar todas as suas fichas na articulação de campanhas e políticas públicas para promover a erradicação da violência patriarcal no Brasil.

O Instituto Avon, por sua vez, redobrou suas ações transformadoras e, além da campanha "Fale sem Medo - Não à violência doméstica", por meio da qual busca lançar luz sobre a violência doméstica, ampliando o entendimento da questão, ainda participa da rede de enfrentamento gerando conhecimento através de pesquisas e coloca à venda produtos como pulseiras, gargantilhas e anéis "da Atitude".

Segundo Fábia Lopes, já é possível identificar avanços: "Na pesquisa do Instituto Patrícia Galvão, 86% dos homens concordaram com a frase 'Quem ama, não bate'".

sábado, 10 de agosto de 2013

Marcos Feliciano - Sem medo de ser imbecil

Se há alguém capaz de me tirar do sério esse alguém é Marcos Feliciano, 
que é de uma imbecilidade total não sendo o único entretanto, como ele há muitos outros Felicianos espalhando suas sandices por aí...

Mais uma vez ele se manifesta com suas pérolas absurdas se colocando contra a nova lei que obriga hospitais a oferecerem atendimento imediato para controle dos impactos causados pelo estupro.

A pílula do dia seguinte desagradou muito os fundamentalistas de plantão - gritam por todos os poros que é aborto - evitar gravidez é aborto? Para eles é, vai entender esse povo.


Em artigo de Nádia Lapa  de CartaCapital, lemos:

"O deputado federal Marco Feliciano... e tentou explicar no Twitter na noite da quinta-feira 1º o seu posicionamento. O que vimos foi um show de desrespeito à mulher, conforme as mensagens abaixo, copiadas da rede social do deputado.

1) O Palácio do Planalto esta desorientado ou muito mal intencionado. Lamento q a Pres. Dilma acabou sancionando integralmente o PLC 3/2013
(…)
8) Esse projeto alem de ser p/vitima de estupro, tbem fala de sexo sem consentimento, profilaxia da gravidez, como se gravidez fosse doença.

9) Uma mulher gravida de 2 meses dizendo ao médico q o marido fez sexo a força, ou ela ñ qria pq estava com dor de cabeça? Aborto feito!

10) não há como comprovar q o sexo foi sem consentimento… É a palavra da mulher que engravidou e pronto. Não há como provar. (grifo meu)

11) No estupro há! Houve violência. Foi feito a denuncia imediatamente. A lei ja protege a mulher vitima de estupro. Ja há lei!

12) se estupro e sexo sem consentimento é a mesma coisa, porque o texto do projeto fala de um e outro separadamente? Engodo!

13) a lei brasileira ja contempla o aborto em caso de estupro. Eu não concordo, mas é lei. Agora ampliam para sexo sem consentimento.

Eu tive muita dificuldade de entender o que o deputado estava falando, confesso. Não me passaria pela cabeça que hoje em dia alguém defenderia publicamente a ideia de que sexo sem consentimento é diferente de estupro.

Ora, esta é exatamente a definição de estupro!
Se uma das pessoas envolvidas não está conscientemente engajada na relação sexual, dando permissão para o (s) parceiro (s), ela está sendo violentada. Sexo requer consentimento. Se ele não existe, é estupro. É violência.

Feliciano fala como se o “sexo sem consentimento” fosse aquele em que não há provas da violência. O senso comum entende que a vítima de um crime sexual terá, necessariamente, de apresentar marcas de defesa pelo corpo. O estupro só é aceito como verdade se a pessoa agredida for o que chamamos de “vítima perfeita”: deve ser “de família”, não beber, ser atacada por um estranho (armado, forte), vestir-se da cabeça aos pés, reagir gritando e batendo no agressor, denunciar o crime imediatamente.

Caso algum desses itens esteja faltando, a veracidade da agressão será questionada. Falam como se fosse fácil para uma vítima de estupro procurar as autoridades competentes. Mesmo quando a vítima procura uma Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam), criada justamente para casos delicados e de violência de gênero, seu caso pode ser tratado de maneira falha. Foi o que aconteceu em Niterói em março deste ano. Uma mulher registrou ocorrência de estupro ocorrido numa van, mas não houve investigação. Duas semanas depois, os mesmo estupradores atacaram uma turista americana no Rio de Janeiro.

Dessa vez, com a denúncia da imprensa e a pressão popular, conseguiram prendê-los. A delegada da Deam de Niterói, Marta Dominguez, foi exonerada.

Feliciano e os que repetem seu discurso defendem que há mulheres que denunciam estupro sem terem sido estupradas, como se ir à delegacia fosse tão agradável quanto um passeio pela orla de Ipanema, água de coco na mão, com o sol se ponto atrás do Morro Dois Irmãos. Não é. Além da burocracia que todos nós conhecemos ao usar qualquer serviço público, a vítima terá de fazer exames no IML, passando pelo imenso constrangimento de tirar a roupa na frente de um estranho, em ambiente frio e cinza, deixando que outra pessoa toque um corpo já machucado (ainda que tais feridas não sejam tão aparentes assim para quem só observa sem empatia). E este é só o começo de um procedimento longo e doloroso. Definitivamente não é um passeio.


Houve quem entendesse que Feliciano defendeu, em suas postagens, que um marido não poderia estuprar a esposa, como se o consentimento estivesse explícito numa relação marital. Não seria surpreendente – muita gente acha isso mesmo. Mas, por ora, preferi entrar na minha máquina do tempo e adiantar para algum ano em que a mulher não é considerada propriedade do marido. Volto depois contando como é."
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Mas para esses que mentem até quando respiram  fica fácil achar que mulheres iriam apelar a esses expedientes para poder abortar... como diz o velho ditado - "quem usa cuida"

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Estupros no mundo globalizado

Publicado em 14/02/2013

O Observatório da Imprensa dessa semana debate o caso da estudante indiana estuprada e morta por seis homens, que expôs ao mundo as violações aos direitos da mulher. Protestos tomaram conta das ruas de Nova Déli e ecoaram pelo mundo. A mídia divulgou o caso em todas as plataformas, inclusive nas redes sociais, onde foi objeto de debates.

O trabalho da imprensa estimulou a discussão em países com o mesmo problema, como o Nepal. A questão envolve cultura patriarcal e misoginia em um mundo cada vez mais globalizado. Os Estados Unidos são um exemplo disso no ocidente. Estupros seguidos de morte ocorrem em larga escala e muitos criminosos saem impunes. Alguns estupros chegaram a ser exibidos em tempo real, como na cidade de Steubenville. Apesar dos avanços do mundo hiperconectado, os abusos contra a mulher ainda são arcaicos.

Esta semana, Alberto Dines recebe a Chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro, Martha Rocha. Em São Paulo, conta com a presença da jornalista Florencia Costa, autora do livro Os Indianos. Em Brasília, a convidada é a Secretária Nacional de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres, Aparecida Gonçalves.

http://tvbrasil.ebc.com.br


Patty Kirsche: Algumas palavras sobre estupro

Patty Kirsche fala sobre o estupro e sua posição no contexto cultural atual.

Misóginos, como reconhecê-los?

Patty Kirsche esclarece as diferenças entre machismo, misoginia e sexismo. Também dá algumas dicas para reconhecer homens misóginos.



domingo, 9 de junho de 2013

A mídia e a sexualidade juvenil

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Por Marcos Aurélio Ruy, no sítio da UJS:

A professora de jornalismo e comunicação de massa na Universidade de Iowa (EUA), Meenakshi Gigi Durham, identifica os mitos criados pela mídia no tratamento da sexualidade, com efeitos nocivos para o desenvolvimento das meninas e a a liberdade das mulheres. É o que chama de Efeito Lolita: cada vez mais a mídia atinge garotas mais jovens.

No livro O Efeito Lolita: a sexualização das adolescentes pela mídia, e o que podemos fazer diante disso, Meenakshi Gigi Durham diz que é necessária a criação de grupos de discussão com participação efetiva dos jovens como forma de combater esse trabalho cruel feito pela mídia comercial.

É imposto a crianças e jovens um único padrão de beleza possível. E, como as imagens de garotas estampadas nas revistas são irreais, as meninas têm que comprar produtos que vão de cosméticos à cirurgias plásticas para atingir a perfeição de serem sexies e outros aspectos de suas vidas são relegados a segundo plano. A socialite Paris Hilton é a principal modelo a ser seguido assim como o grupo Pussycat Dolls.Grifes como Victoria’s Secret e cantoras com Christina Aguilera, Britney Spears e Lady Gaga e suas similares pelo mundo afora apresentam como objetos sexuais.

O nome Lolita deriva do livro homônimo do escritor russo Vladimir Nabokov: uma menina de 12 anos que é um tipo de garota especial, seduz sem ter consciência disso, passa a ter relacionamento amoroso com um adulto.

No livro Educar para a submissão, o descondicionamento da mulher, a pesquisadora italiana Elena Gianni Belotti, já havia mostrado como é um traço cultural a submissão da mulher. “A tradicional diferença de caracteres entre macho e fêmea não é devida a fatores congênitos, e sim, aos condicionamentos culturais a que o indivíduo é forçado no curso do seu desenvolvimento”.

No caso do Efeito Lolita, Durham também faz uma abordagem demonstrando como a natureza não dita as regras no comportamento humano, sendo que a mídia destinada aos jovens é em boa parte dirigida por mulheres mas sujeitam-se à vontade maior do deus mercado. “O verdadeiro problema com o Efeito Lolita é que as garotas não têm controle sobre essa situação.” Ele consiste “numa fantasia masculina adulta.” E a mídia usa essa fase de descobertas das adolescentes inculcando-lhes ainda mais insegurança, simplesmente para vender mais produtos.

Durham deseja fornecer as ferramentas necessárias para se reconhecer e reagir de modo proativo. “Examinar com rigor o ‘Efeito Lolita’ permitirá desvendar os mitos que compõem o espetáculo da sexualidade das garotas na cultura pop convencional.” É muito comum em revistas na atualidade “a ninfeta com rosto de criança e curvas voluptuosas que posa de modo provocativo em capas de revistas. A sexualização das meninas nos ambientes aparentemente seguros, não realistas e fantasiosos da mídia e da publicidade age com o fim de legitimar, e até de tornar glamuroso, o uso da sexualidade das garotas para fins comerciais”, afirma.

As imagens difundidas pela mídia não são reais nem realizáveis; “corrigidas” por softwares de computador, essas imagens criam perfeições inexistentes. Páginas sempre acompanhadas de anúncios de produtos de beleza, entre outros. A mídia é tão persistente que a confusão fica ainda maior na cabeça das adolescentes e o apelo já é feito para crianças de até 8 anos de idade. Segundo Durham há brinquedos nos Estados Unidos da “Pole Dance” (uma dança erótica usada em cabarés) para meninas de 1 a 2 anos.


As meninas como objeto sexual

Há programas na tevê brasileira que apresentam mulheres de biquínis fio-dental, mostrando seus atributos físicos. Existe até um quadro num programa considerado de comédia que é chamado “a miss beleza interior”, ou seja pessoas que fogem do padrão caucasiano de beleza. Outros, supostamente menos incautos, mostram crianças muito pequenas, na imensa maioria meninas, imitando seus ídolos com roupas provocativas e com dança sensual.

O apelo sexual é tão presente que um certo programa “para mulheres” de manhã, da Rede Globo, levou duas jovens a andarem nas ruas de São Paulo, uma loira outra morena. A loira estilo Barbie e a morena apresentada como um tipo mais brasileiro. Elas andavam pelas ruas e a repórter ia perguntando aos homens qual era mais atraente. Tudo para justificar uma “matéria jornalística” sobre como manter a cintura fina.

Recentemente, a Associação Americana de Psicologia (APA, sigla em inglês) apresentou um relatório no qual afirma que a exposição em revistas, televisão, videogames, videoclipes, filmes, letras de música e internet, são nocivos para o desenvolvimento de garotas adolescentes.

Segundo a APA isso pode levar “à perda de auto-estima, depressão e anorexia”, entre outros aspectos. A pesquisadora Meenakshi Gigi Durham mostra que na mídia convencional já “não se diferencia mais anúncios de matérias jornalísticas”.


Cinco mitos para perpetuar a dominação

Em seu livro, Durham detecta cinco mitos nos quais a mídia se baseia para vender “produtos de beleza” e para apresentar as garotas como seres sexualizados que existem apenas para favorecer o sexo oposto, sem vontade própria e, pior ainda, sem valorizar nenhum outro aspecto das garotas a não ser o de serem sexies, sempre com o objetivo de agradar ao “olhar masculino”. E o pior: rebaixam cada vez mais a idade das garotas.

O primeiro mito é Se você tem, exiba. Este mito valoriza apenas a aparência sexy das meninas. “Chelsea, de 4 anos, elogia a aparência hot da amiga”, diz a autora, e acrescenta Lexi, 9 anos, veste uma camiseta do Pussycat Dolls com os dizeres “você não gostaria que sua namorada fosse ‘hot’ como eu?”. O mito então vê como “hot” (sexy) como a feminilidade ideal. Até em programas da Disney essa temática aparece como em Hannah Montana, destinados à jovens pré-adolescentes.

Para Durham “as mensagens sobre sexo que as garotas têm recebido por intermédio desses veículos de mídia, exploram a consciência sexual e a ansiedade que caracterizam os anos de adolescência e pré-adolescência.”

Uma pesquisa publicada no ano passado no Jornal Brasileiro de Doenças Sexualmente Transmissívei apontou como emissoras mais assistidas a Rede Globo e a MTV, entre os jovens no período das 18 às 22 horas. Na pesquisa as duas emissoras de TV apresentam alto teor erótico nos seus programas e propagandas.


A violência sexual contra meninas

O segundo mito é Anatomia de uma deusa do sexo. O modelo visto como ideal para as garotas tem de ser magra, loira, cabelos longos, ao estilo da boneca Barbie. Para isso os publicitários chegam ao desplante de vender cremes para branqueamento de pele na África e na Ásia.

Também pretendem vender silicone para aumento do tamanho dos seios, entre diversos outros produtos. Segundo Durham até produtos proibidos nos países do Primeiro Mundo por ameaças à saúde, são vendidos no Terceiro Mundo. “As indústrias da moda, das dietas, dos exercícios físicos, dos cosméticos e da cirurgia plástica geram lucros anuais de bilhões de dólares”, afirma Durham, e confirma “a publicidade é a espinha dorsal da mídia”.

No terceiro mito As garotas bonitas, “em 2007, uma garota de 12 anos chamada Maddison Gabriel causou frisson no desfile de moda Gold Coast, da Austrália”. Um noticiário da emissora norte-americana ABC afirmou que Gold teve inspiração em Lolita. Um blogueiro observou, com cinismo indisfarçável: “crianças também conseguem ser ‘hot’”.

A cantora “Britney Spears, aos 16 anos, exibiu-se movimentando-se de modo ostensivo, vestida com um uniforme de escola católica e rabo de cavalo de menininha, em seu primeiro vídeo musical”. Para Durham a roupa clássica de Lolita é o ”leitmotiv predileto da pornografia infantil”.

Em maio a apresentadora Xuxa foi saudada pela mídia por aparecer ladeada por duas jovens gêmeas negras, de 14 anos, desfilando com pouca roupa e, segundo a mídia, tornou-se espécie de madrinha das meninas para tornarem-se modelos. Essa carreira tem sido apresentada em novelas e programas de tevê como ideal para as “meninas bonitas”. Só não falam dos problemas dessa profissão, nem de como as meninas que supostamente não são assim tão “bonitas” devem fazer? Resta a frustração apenas.

Ser violento é sexy é o quarto mito definido pela escritora. Em diversos filmes, a violência sexual contra garotas é apresentada como natural e punitiva. Nesses filmes tanto as garotas “boas” quanto as “más” são assassinadas com o mesmo prazer.

Uma série de filmes de terror, muito apreciada por jovens, Sexta-feira 1, apresenta as garotas que fazem sexo como libertinas que, portanto, devem ser severamente punidas, da mesma forma que os garotos viciados em drogas. O mais pesado, porém, se dá contra as meninas. É a mão de Deus punindo os pecadores.

“Praticamente a cada vez que há uma cena de relação sexual, em que são mostradas longas cenas com garotas adolescentes seminuas, o matador mascarado ataca.” O filme American Pie, apresentado como de libertação sexual, mostra as meninas como instrumentos do sexo e meros objetos a serem usados pelos meninos. No videogame da série Grand Theft Auto os jogadores têm oportunidade de estuprar, espancar e assassinar prostitutas.

Também peças publicitárias apresentam a violência contra mulher como sexy. “As imagens de violência contra as mulheres estão em toda a parte: nos outdoors, nas revistas, na televisão. Um anúncio da Dolce & Gabbana exibe um homem fazendo sexo com uma mulher, enquanto outros homens estão parados em pé, assistindo. A cena sugere um estupro sendo praticado por uma gangue. No anúncio, a modelo é bonita, tem olhar ardente e aparenta estar excitada. O estupro pela gangue é implicitamente justificado”, afirma Durham.

Outro anúncio da Cesare Paciotti “mostra um homem pisando sobre o rosto de uma bela mulher que usa batom vermelho.”

O quinto mito criado pela mída é do que os rapazes gostam. As revistas feitas para meninas invariavelmente dizem que os “rapazes sabem muito a respeito das garotas” e também sabem muito bem o que querem, ao contrário das garotas que não sabem nada, portanto, precisam aprender a satisfazer os desejos dos garotos… com a mídia.

As revistas “ensinam” as meninas a serem atraentes. Manchetes do tipo estampados pela revista norte-americana Seventeen mostram isso claramente: “Experimente esse visual, testado por garotas e aprovados por rapazes”, formam a essência desse mito.


Controlar a volúpia da mídia

“Temos de aprender a ter controle sobre a mídia e a usá-la de modo que melhore nossa vida, em vez de lhe dar total liberdade de ação tanto no espaço público quanto no privado”, afirma Durham. Ela diz ainda que o marketing das empresas está transformando as crianças pequenas em “iscas de sexo”.

Por isso, para ela “a sexualidade deve ser protegida, as pessoas devem ter controle sobre ela, livres de qualquer violência ou coerção. As garotas devem ser amparadas social e culturalmente, de modo que contribua como seu desenvolvimento sexual e o seu bem-estar.”

“O Efeito Lolita está presente nas revistas para adolescentes, nos programas de tevê, nos shopping centers, na pornografia e nas ruas. Às vezes é difícil distinguir uma imagem da outra”, afirma Durham. Ele age dentro de um contexto corporativo e comercial. Em razão disso, não há ética em jogo: “ele é movido pela busca do lucro”.

Principalmente porque a parte mais promíscua e violenta sobra para as meninas pobres que, sem dinheiro para comprar os tais produtos milagrosos e se tornarem “sexies”, tornam-se presas fáceis para a face mais cruel desse contexto: o tráfico sexual de crianças. O Departamento de Drogas e Crimes da ONU descreve o tráfico sexual de crianças como a atividade criminosa de maior expansão no mundo.

“Em certo sentido, o Efeito Lolita superestima e subestima o sexo, ao mesmo tempo: ele dá uma ênfase excessiva à necessidade das garotas de ser sexies, mas não leva o sexo suficientemente a sério a ponto de lhes fornecer informações adequadas sobre como lidar com ele na vida real”, diz Durham. Por isso, ela defende a inclusão do “uso crítico da mídia” na grade curricular “desde o período da pré-escola até o final do ensino secundário”.

Livro:

O Efeito Lolita: a sexualização das adolescentes pela mídia, e o que podemos fazer diante disso, Meenakshi Gigi Durham, Editora Larousse, 2009, São Paulo

ENTÃO O MUNDO TÁ CHEIO DE PSICOPATAS

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Escreva Lola Escreva 

Segunda passada publiquei post sobre o terrível caso da cheerleader estuprada por um atleta. Ele, quando finalmente foi condenado (não por estupro, mas por um crime menor), não só não foi preso como teve que pagar uma fiança de 2,500 dólares. Expulsa da equipe por se recusar a torcer pelo estuprador, a vítima processou a escola. A justiça americana não só não lhe deu ganho de causa, como considerou o processo fajuto, e a multou em 45 mil dólares. 
 
Ou seja, quando a gente fala que vive numa cultura de estupro, está se referindo a todo um sistema que insiste em manter o estupro impune, a um mundo que vende imagens de estupro como se fossem glamurosas e desejáveis, e a uma sociedade que culpa a vítima, sempre. Escreva um texto sobre estupro, qualquer um. Pode ser o estupro mais escabroso possível, que sempre vai aparecer alguém pra dizer que a mulher é que quis e que é errado culpar o cara. É um paradoxo: apesar de vivermos num mundo em que um terço das mulheres já sofreu algum tipo de abuso sexual, muitas pessoas (homens principalmente) juram que estupro não existe. Quando muito, que é coisa de psicopata. 
 
O problema é que não é. Se fosse apenas um grupinho, não seria tão difícil brecar a violência sexual. Não é o estuprador individual que é um psicopata ― é a sociedade. Veja só esses dois casos que citei do Texas, esse da cheerleader e outro de uma menina de 11 anos estuprada por dezoito rapazes. A maior parte de nós, olhando aqui de longe, imediatamente empatiza com as vítimas, certo? Mas nas cidades onde esses estupros ocorreram o que mais se ouve é “Vocês não sabem o que aconteceu, e nós sabemos. Vocês não conhecem a história toda”. E qual é a “história toda”? É que a cheerleader de 16 anos estava bêbada e já tinha beijado duas pessoas naquela festa. É que a menina de 11 se vestia como uma mulher de 20 e não era mais virgem. Essa, gente, é a história toda. Por isso essas garotas foram estupradas. Por isso nas várias Marchas das Vadias que fizemos e estamos fazendo por todo o mundo alguns slogans incluem “Beber não é crime. Estuprar é”, e “Minha roupa não é um convite para ser estuprada”.

No sábado retrasado aconteceu de novo. Um funcionário de uma boate em SP foi acusado de estuprar uma moça de 20 anos. Ela, que comemorava a formatura da irmã, estava bêbada. O estupro aconteceu no ambulatório da boate. O funcionário confirma o sexo, mas diz que foi consensual. Aí fica a dúvida: como que uma pessoa caindo de bêbada pode consentir alguma coisa? Penetrar uma mulher que está dormindo não é estupro? Que tal uma paciente em coma?

Quer dizer, essa questão do consentimento é uma das dúvidas. A outra é: imagina só que você vê uma pessoa bêbada passando mal, precisando de ajuda, que a muito custo se arrasta até um ambulatório. O que você faz? a) Você ajuda a pessoa? b) Você a estupra?
 
Se estupro é uma palavra muito forte, vamos imaginar que uma pessoa de repente passe mal na rua. Assim, do nada, uma pessoa desmaia na sua frente. Você a ajuda ou você aproveita para roubar-lhe os pertences? (Eu não gosto muito dessas comparações porque estupro não tem nada a ver com roubo. Estupro é um dos crimes mais hediondos que existem, e a sociedade sabe muito bem disso — tanto que é uma tática comum nas guerras).
 
A frequência com que mulheres bêbadas são estupradas (é um dos casos mais típicos em festas universitárias) mostra que, bem, tem muito cara que não vê mal nenhum em se aproveitar, ao invés de ajudar, uma pessoa passando mal. Todos esses caras são psicopatas? E esses aqui, que tirei (tudo sic) dos comentários da matéria do jornal online?

- “Não aconteceu nada demais! A mulher eh MAIOR DE IDADE, portanto plenamente capaz, bebeu por livre e espontanea vontade, foi pra gandaia e depois facilitou as coisas abrindo a guarda e depois de arrependeu. Agora querem prejudicar o funcionário. O único erro do cara foi ter feito isso num ambiente de trabalho. No máximo um mal procedimento.”

- “isso é classico, esquentam os caras e depois querem sair fora...”

- “desde quando ter conjunção carnal com uma moça de 20 anos é ESTUPRO DE VULNERÁVEL?”
 
- “È adequado uma jovem embriagar-se em simples festa de formatura da irmã? É adequado um empregado do estabelecimento descontrolar-se com isso a ponto de consumar uma violação?”

- “Tudo deve ser apurado mas muito me parece q a garota ficou doidona, ficou com vontade de dar e depois se arrependeu ...”

- “Ei, esta garota viu a novela da GROBO, 21:00, a mocinha que colocava chifre no noivo com um segurança do shopping. Era a fantasia da garota fazer o mesmo. Coitado do cara.”

- “Existe um ditado popular que diz: C... de bêbado não tem dono. Quem bebe deve sempre pensar nisso”.

- “ela bebeu e alega ter sido estuprada? pra mim parece desculpa esfarrapada dela!”
 
- “O IMPORTANTE É SABER se ela disse, em algum momento, NÃO (OU FEZ MENÇÃO QUE NÃO QUERIA). Caso contrário, o bombeiro está sendo acusado INJUSTAMENTE!”

Esses rapazes que comentam são todos psicopatas? Ou representam um modo de pensar que está impregnado no nosso mundo? Sabe, esse mesmo mundo em que dizem que o feminismo não tem mais razão de ser?

Pra essa gente, fazer sexo com uma mulher incapaz de consentir não é estupro. É uma oportunidade (assine a petição contra a piada rafística!). Afinal, a julgar pelo número de passadas de mão e grosserias a que uma mulher (sóbria!) está sujeita sempre que sai à rua, o corpo de uma mulher já é público. Se ela beber, então... Quem manda ela beber, não é mesmo? 
 
Esses pensadores não estão sozinhos. Uns dez dias atrás tivemos as declarações do bispo de Guarulhos, um que acha misturar religião e política seu dever divino. Dom Luiz Bergonzini é outro que não acredita em estupro, como narra a entrevista que ele deu ao Valor:

"Vamos admitir até que a mulher tenha sido violentada, que foi vítima... É muito difícil uma violência sem o consentimento da mulher, é difícil", comenta. O bispo ajeita os cabelos e o crucifixo. "Já vi muitos casos que não posso citar aqui. Tenho 52 anos de padre... Há os casos em que não é bem violência... [A mulher diz] 'Não queria, não queria, mas aconteceu...'", diz. "Então sabe o que eu fazia?" Nesse momento, o bispo pega a tampa da caneta da repórter e mostra como conversava com mulheres. "Eu falava: bota aqui", pedindo, em seguida, para a repórter encaixar o cilindro da caneta no orifício da tampa. O bispo começa a mexer a mão, evitando o encaixe. "Entendeu, né? Tem casos assim, do 'ah, não queria, não queria, mas acabei deixando'. O BO é para não facilitar o aborto", diz.

O bispo é um psicopata também? Ok, não responda! Qualquer um que use o exemplo da caneta com uma pobre repórter revela total falta de empatia (assine a petição contra as declarações do bispo). Mas psicopatia é isso mesmo: é não sentir empatia pelas vítimas. Então talvez o pessoal que prega que estupro é obra de psicopata tenha razão: só psicopata estupra, e só psicopata justifica estupro. Mas como existem psicopatas neste mundo, hein?

quinta-feira, 6 de junho de 2013

O crime da MTV


    

Por incrível que pareça, o crime mais grave perpetrado pela MTV atualmente não é veicular clipes do Restart. O blog Testosterona, página relacionada ao site da MTV Brasil, está na mira de uma petição que hoje conta com cerca de 20 mil assinaturas contra seu conteúdo, considerado violento e preconceituoso.

Estranho o presidente da MTV Networks, Mr. Van Toffler, permitir que sua marca carimbe tal material: a mesma rede conhecida por veicular campanhas para promover a tolerância e a igualdade entre seu público jovem fecha os olhos para o jeitinho misógino de ser do blog. O Testosterona começou a cavar sua má fama em 2010, com a postagem de um vídeo em que ensinava como “convencer” uma mulher a fazer sexo anal quando ela se recusa; basta dar-lhe uma tijolada na cabeça que ela “apaga” e o caminho está livre. Ao final do vídeo, três motivos explicam porque o sexo anal é melhor: é “(…) mais humilhante para a mulher“.

Em março deste ano a polícia prendeu dois ex-colaboradores do Testosterona, Emerson Eduardo Rodrigues e Marcelo Valle Silveira Mello. Além de colaborar com o Testosterona, os dois mantinham seu próprio site para reforçar o discurso de ódio contra mulheres, homossexuais, negros, nordestinos e judeus. As investigações ainda ligaram Emerson e Marcelo a um grupo que planejava uma ação armada contra estudantes da Universidade de Brasília (UnB). Cereja no topo do bolo: Wellington Menezes de Oliveira, autor do massacre ocorrido em Realengo, no Rio de Janeiro, no dia 7 de abril de 2011, que resultou na morte de 12 estudantes, manteve contato com Emerson e Marcelo pedindo ajuda para planejar o ataque.

É. O Testosterona parece mesmo reunir a nata dos humoristas na internet. [Só que ao contrário.]

Amostra de “humor”

O editor do Testosterona, Eduardo Mendes, afirma no site: 
“Não sou machista, machismo é burrice e burrice é coisa de mulher.” 
E diz ser 
“um rapaz que acredita que toda mulher é uma rainha 
e a cozinha é seu castelo.” 

A Secretária de Enfrentamento da Violência contra a Mulher, Aparecida Gonçalves, alertou em entrevista recente à CBN a respeito do aumento de violência sexual que vem sendo observado no país inteiro e ressaltou que, nesse ambiente, é inaceitável a existência “de blogs, sites ou programas de televisão que efetivamente incentivem esse tipo de coisa.” Mas o que seria esse tipo de coisa? De acordo com o SINAN – Sistema de Informação de Agravos de Notificação, esse tipo de coisa, a violência sexual, é toda ação na qual uma pessoa, em situação de poder, obriga uma outra à realização de práticas sexuais, contra a vontade, por meio de força física, influência psicológica, uso de armas ou drogas (Código Penal Brasileiro). Esse tipo de coisa é meio serinho: Em 2010 a Central de Atendimento à Mulher – SEPM (Ligue 180) divulgou o número de atendimentos de janeiro a maio daquele ano.

Somaram 271.719, um aumento de 95,5% em relação aos primeiros cinco meses de 2009 (138.985). Afinando o foco: foram 29.515 casos de violência física e 1.060 de violência sexual, descontando os demais. Segundo o Mapa da Violência divulgado pelo SINAN, em 2011 foram atendidas mais 13 mil mulheres vítimas de violência sexual (sem contar os casos não registrados oficialmente).

Reforçando: 
em um ano, os casos registrados de violência sexual contra a mulher saltaram de 1.060 a 13.000 

Nesse período, a Central 180 registrou 51.354 relatos de violência. Foram 29.515 casos de violência física, 13.464 de violência psicológica, 6.438 de violência moral, 887 de violência patrimonial, 1.060 de violência sexual, 42 situações de tráfico e 207 casos de cárcere privado.

Uma piada que celebra esse tipo de coisa, que retrata a definição acima, pode ser considerada humor por alguns. Mas da mesma maneira que não podemos ignorar que ela pode ser engraçada – para alguns – não podemos deixar de apontar que tal piada incita a situação acima descrita como violência sexual.

O vídeo da “tijolada” do sexo anal foi retirado do blog somente no mês passado, mais de dois anos depois de postado, e ainda pode ser acessado no YouTube, apesar de ter levado a Secretaria de Políticas para as Mulheres a solicitar do Ministério Público uma investigação sobre apologia ao estupro.

A All Out, organização internacional pela petição denominada “MTV Apoia o Ódio“, recebeu da Vice Presidente de Responsabilidade Social da emissora em Nova York uma mensagem decepcionante. Na nota, a MTV declara apenas que o Testosterona não passa de “uma abordagem bem-humorada do machismo moderno, adequadamente embasada na cultura brasileira” e que por isso não encerrariam sua parceria com o site. Para a MTV, esse tipo de coisa é bem coisa nossa! Para a MTV somos modernos neanderthals em cuja cultura está enraizado e é aceito o procedimento do ataque à tacape (ou tijolo) na cabeça da fêmea para obter sexo. Por isso devemos achar graça do tal vídeo postado no Testosterona.

Porque supostamente ainda possuímos vivo demais o registro dessa modalidade de convívio, tão entranhado em nós que é até de se espantar que nos revoltemos contra o conteúdo do vídeo e/ou de todo o Testosterona. Não se trata mais de uma questão para feministas nem feminazis. A mensagem da MTV chama a todos de ignorantes: tanto homens quanto mulheres.

“Algumas meninas gostam de ser estupradas”, diz juiz de Israel



Postado em: 5 jun 2013 às 16:31

Juiz causa polêmica em Israel ao afirmar, durante audiência de um caso de estupro de uma menor, que “algumas meninas gostam de ser estupradas”

Um juiz causou polêmica em Israel ao afirmar, durante a audiência de um caso de estupro de uma menor, atualmente com 19 anos, que “algumas meninas gostam de ser estupradas”. Nissim Yeshaya, embora esteja aposentado, continua atuando em alguns casos de apelação institucionais no Distrito de Tel Aviv, segundo o site Ynet.

juiz israel meninas estupradas
Juiz de Israel Nissim Yeshaya diz que “algumas meninas gostam de ser estupradas” (Foto: Divulgação)

Em meio a uma audiência ontem da Comissão de Apelação da Previdência Social, na qual a vítima não estava presente, o magistrado surpreendeu os participantes com o comentário, que gerou protestos. A presidente da comissão parlamentar para o Status da Mulher, Aliza Laví, pediu à ministra da Justiça, Tzipi Livni, que interdite imediatamente Yeshaya.

A jovem, hoje maior de idade, tinha 13 anos quando foi violentada. Sua advogada, Aloni Sadovnik, descreveu a declaração do juiz à rádio do exército israelense: “No meio de um debate acalorado, o juiz diz de repente alto e para todos os presentes ouvirem, ‘Há algumas meninas que gostam de ser estupradas”.

“A sala ficou em silêncio”, acrescentou a advogada, detalhando que “inclusive os (outros dois) membros do tribunal (de apelações) ficaram calados por vários minutos. Ele nem sequer percebeu o que acabava de dizer. Não entendia por que todo mundo estava em silêncio ao mesmo tempo”.


 
A advogada da vítima detalhou que os outros dois juízes administrativos tentaram de acalmar os ânimos e minimizar o prejuízo das declarações de seu companheiro.


Comentários “mal interpretados”
Yeshaya, que se desculpou hoje, afirmou sobre o escândalo que “não é sério”. “Estão tentando conseguir publicidade as minha custas. Eu não acho que a vítima de um estupro não sofre danos com ele ou que o estupro não é um crime grave. (Meus comentários) foram mal interpretados”, alegou. (interessante que é sempre o mesmo "argumento" - eles foram mal interpretados e não queriam dizer o que disseram - tá então)

A Administração de Tribunais disse que o juiz não tinha intenção de ofender a vítima de estupro e que lamentava os comentários. A ministra de Cultura e Esporte , Limor Livnat, considerou “assustadoras e escandalosas“, as declarações e também intercedeu para que o juiz passe para aposentadoria definitiva.

“As vítimas de estupro sofrem severos traumas psicológicos. É difícil imaginar o dano causado por esse comentário, que poderia dissuadir outras vítimas de abusos sexuais (de denunciar os crimes)”, criticou.

O juiz era o candidato preferido do primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, a presidir o Tribunal interno do partido Likud, mas hoje o governante retirou seu apoio porque “uma pessoa que se expressa assim não merece o cargo”.
Agência Efe

sábado, 1 de junho de 2013

Mulher que superou câncer de mama é banida do Facebook por ‘foto ilegal’

Postado em: 21 fev 2013 às 15:22

Banida do Facebook, imagem de mulher tatuada se torna viral. Desenho no colo foi feito após a mulher vencer câncer de mama

A tatuagem no colo de uma mulher desenha um belo top, e foi postada pelo estúdio canadense Custom Tatoo Design no Facebook. Por trás do desenho, está a história de uma mulher que fez mastectomia dupla (ou seja, retirou totalmente os dois seios) por conta de um câncer de mama. A foto, porém, foi banida da rede social por violar a política do site, que não autoriza nudez em suas páginas.
Mulher é banida do Facebook após divulgar foto com tatuagem no colo (Reprodução / Custom Tattoo Design)


Os internautas não gostaram nada da atitude do Facebook e resolveram embarcar em uma campanha, promovida pelo estúdio de tatuagem, para que imagem possa ser publicada livremente.

“O Facebook continua a remover a postagem por considerá-la ofensiva, em função da nudez. No entanto, nós achamos que essa mulher é forte e corajosa, então vamos publicar a imagem aqui de qualquer forma e pedimos o apoio de vocês. Por favor, curta e compartilhe para mostrar seu apoio a esta e a muitas outras mulheres que já perderam tanto em suas vidas”, diz o texto na página do estúdio Custom Tatoo Design.

A foto, extraída do livro “Bodies of Subversion: A Secret History of Women and Tattoo”, já tem mais de 160 mil compartilhamentos e 190 mil curtidas.
Agências

Facebook não tira do ar vídeo de mulher sendo decapitada


Postado em: 26 abr 2013 às 17:54

Facebook mostra vídeo de mulher sendo decapitada e não o retira do ar. Rede social alega que usuários compartilham imagens para condená-las

Um vídeo de uma mulher sendo decapitada no Facebook tem causado polêmica na rede social. Embora a imagem publicada por um usuário seja explícita, o site afirma que não pode retirar o conteúdo do ar porque ele “não viola os padrões de comunidade do Facebook”.

mulher decapitada facebook
Facebook mostra vídeo de mulher sendo decapitada e não o retira do ar (Foto: Reprodução)

De acordo com o Facebook, as pessoas que comentam e compartilham o vídeo o estão fazendo “para condená-lo” e que, por isso, não pode removê-lo. “Da mesma forma como programas jornalísticos na televisão usam imagens inquietantes mostrando atrocidades, as pessoas podem compartilhar vídeos inquietantes no Facebook com o objetivo de aumentar o conhecimento sobre ações ou causas”, diz a empresa.

“Embora o vídeo seja chocante, nossa postura está fundamentada na preservação dos direitos das pessoas de descrever, representar e comentar sobre o mundo em que vivem”.

O vídeo publicado por um usuário da rede social, aparentemente mexicano, mostra uma mulher sendo decapitada por supostos integrantes de uma gangue mexicana. Até a publicação da reportagem, o conteúdo foi compartilhado por mais de 5,6 mil usuários do Facebook, teve quase 3,9 mil comentários e mais de 1,4 mil “Curtir”.

 

O que pode e o que não pode

Segundo os termos de direito e responsabilidades do Facebook, a rede social está autorizada a remover qualquer conteúdo que infrinja os direitos autorais de alguém. Os usuários estão proibidos ainda de publicar conteúdo que “contenha discurso de ódio, seja ameaçador ou pornográfico; incite violência; ou contenha nudez ou violência gráfica ou desnecessária“.


É vedado também aos usuários publicarem conteúdo que “infrinja ou viole os direitos alheios ou a lei”, informações financeiras confidenciais de ninguém no Facebook e que contenham quaisquer atos ilegais, equivocados, maliciosos ou discriminatórios.


Leia a seguir a íntegra da nota eviada pelo Facebook

“As pessoas estão compartilhando este vídeo para condená-lo. Da mesma forma como programas jornalísticos na televisão usam imagens inquietantes mostrando atrocidades, as pessoas podem compartilhar vídeos inquietantes no Facebook com o objetivo de aumentar o conhecimento sobre ações ou causas. Embora o vídeo seja chocante, nossa postura está fundamentada na preservação dos direitos das pessoas de descrever, representar e comentar sobre o mundo em que vivem“.

PS de Pragmatismo Politico: Estranha a política de uso do Facebook. Enquanto mulheres que divulgam fotos amamentando têm seus perfis bloqueados, páginas com conteúdo claramente discriminatórios e um vídeo que revela a decapitação de uma mulher são mantidos no ar.

Agressão contra mulheres no Facebook vira rotina


Postado em: 31 mai 2013 às 14:33

Usuários protestam contra mensagens sexistas no Facebook. Conteúdos que mostram violência contra mulheres de forma positiva são tolerados pela rede social

Centenas de manifestantes estão pedindo ações mais duras do Facebook contra posts que, segundo eles, inferiorizam as mulheres.

Mais de 50 mil pessoas já tuitaram em apoio à campanha FBRapen (FBEstupro, em tradução livre) e cerca de 5 mil enviaram e-mails a empresas cujos anúncios aparecem junto do conteúdo ofensivo.

A campanha tem como alvo comentários postados na rede social que retratam estupro e violência contra as mulheres de forma positiva. O Facebook diz já ter removido diversos exemplos.

Uma petição online sobre o assunto também reuniu mais de 220 mil assinaturas.

 “O Facebook age em assuntos como antissemitismo e já foi elogiado por isso, mas quando eles vêem imagens de mulheres sendo estupradas, não consideram que isso é um tipo de discurso de ódio.” 
(Laura Bates, criadora do projeto Everyday Sexism)
A campanha foi organizada por usuários individuais e por 40 grupos de mulheres, incluindo o grupo americano Mulheres, Ação e Mídia (WAM, na sigla em inglês) e o projeto britânico Everyday Sexism (Sexismo Cotidiano, em tradução livre) – uma conta de Twitter que encoraja mulheres a compartilharem situações em que perceberam sexismo.

Em uma carta aberta à gigante das redes sociais, os grupos exigiram “ações rápidas, abrangentes e eficientes em relação à representação de estupro e violência doméstica no Facebook” e dizem ter pedido aos usuários do site para entrar em contato com empresas cujos anúncios aparecem nas páginas denunciadas.

Sky, American Express e os produtos de beleza Dove estão entre as marcas afetadas.

A carta também lista exemplos do material que os manifestantes consideram “inaceitável”, o que inclui grupos de Facebook com títulos como “É por isso que indianas são estupradas” e posts individuais com imagens de mulheres vítimas de abuso.

 
Uma imagem, por exemplo, mostra uma mulher deitada no chão no pé de uma escadaria com a frase “Da próxima vez, não engravide”.



Alvo
Em um comunicado, a marca Dove, da empresa Unilever, disse estar “extremamente perturbada” pelas imagens.

“A Dove leva esse assunto muito a sério e não aprova nenhuma atividade que insulta intencionalmente nenhum tipo de público”, disse a diretora global de comunicações do grupo, Stacie Bright.

“Estamos trabalhando para refinar nossas palavras-chave (que determinam a inserção de anúncios) caso outras páginas como essa sejam criadas. Os anúncios no Facebook miram nos interesses das pessoas, não nas páginas. Nós não escolhemos em que local nossos anúncios aparecem.”

Tanto Bright quando o porta-voz do Facebook disseram que os exemplos mencionados na carta foram retirados do site.

“Não há lugar no Facebook para discursos de ódio ou conteúdo que é ameaçador ou incita violência, e não iremos tolerar materiais considerados genuinamente ou diretamente nocivos”, disse o Facebook em um comunicado.

(mentira as páginas se multiplicam e eles respondem sempre a mesma coisa)

 “Tentamos reagir rapidamente para remover a linguagem e as imagens denunciadas que violam nossos termos.

Também queremos tornar fácil para as pessoas denunciar conteúdo questionável usando links localizados no site.”, acrescentou a rede social.

A empresa disse, no entanto, que nem todo o material que os usuários podem considerar “vulgar ou de mau gosto” viola, na prática, as regras.
(os "critérios" usados são muito questionáveis na verdade)


Frustração
Laura Bates, fundadora do projeto Everyday Sexism, que a campanha nasceu da “completa frustração” de um grande número de mulheres que aderiu à iniciativa para reclamar sobre o material.

“Obviamente é difícil moderar uma plataforma de 1 bilhão de usuários, mas isso está afetando as mulheres de maneira desproporcional”, disse.

“O Facebook age em assuntos como antissemitismo e já foi elogiado por isso, mas quando eles veem imagens de mulheres sendo estupradas, não consideram que isso é um tipo de discurso de ódio. Muitas mulheres estão dizendo que isso as impede de usar o Facebook.”

O site de rede social já foi criticado por remover imagens de mulheres amamentando seus bebês e mostrando o corpo após realizar mastectomias, segundo Bates.

“Não acho que você pode usar a cortina de fumaça da liberdade de expressão quando tira outras imagens que geralmente são de corpos femininos”, afirmou.
Ela disse ainda que os grupos e o Facebook estavam “em contato” e que ambos esperavam por uma resolução imediata para o problema.
BBC Brasil
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